19 de novembro de 2010

Dança da rotina

Correu e parou. Mais forte que a luz e mais rápida que o vento. Ela não tinha toda a dança em seus pés, mas sabia por onde começar. Estava intacta e queria desenhar o chão. Ávida e fervorosa. Era só pernas, braços e desejo. Dois pulos, pra frente e pro lado. Dois pulos, pra trás e girava. Dois pulos e tudo de novo, bem alto e sem parar. E via nos olhos de quem sabia mais, a chance de se tornar alguém mais sólido. Mais forte e pro alto. Dois pulos e além. Um dia ela estaria no topo e então poderia parar de pular [não agora]. E pulos mais altos, mais fortes, pro lado e pro outro, até chegar lá.

Um comentário:

Luiz Gomes disse...

"a chance de se tornar alguém mais sólido."

A imagem da poesia flui tão bem, como o fervor dos desejos da menina, do ser humano.

Muito bom. :)